Lisboa Music Festival

Certamente que quando a Câmara Municipal de Lisboa, decidiu organizar o LX MusicFest, dando hipótese ao público português de ver bons valores da música nacional, não esperava uma tão fraca afluência de público. O palco instalado no Cais do Gás, onde o frio que se fazia sentir provavelmente contribuiu para o reduzido número de espectadores, teve no sábado 24 de Novembro, o dia reservado para o reggae português. 

O cartaz era claramente apelativo, com a presença dos Kussondulola, considerados a melhor banda de reggae portuguesa, e dos recentemente formados Montecara. A organização lá foi adiando o começo dos concertos, talvez aguardando por um público mais numeroso. Mas foi com pouco mais de uma centena de espectadores, que os Montecara subiram ao palco para a primeira parte das festividades. A verdade é que perante públicos reduzidos, ou não, os Montecara “ameaçam” tornar-se num projecto promissor com muito futuro na música reggae portuguesa, confirmando aqui as expectativas criadas aquando da sua estreia no palco 6 há alguns meses. Com um som puro, penetrante e até mesmo pesado, os Montecara rapidamente aqueceram o ambiente frio que se fazia sentir, quer através dos ritmos criados pelo excelente entrosamento entre o baterista e o percussionista , quer através de um curioso violoncelo, que traz novas possibilidades aos ritmos jamaicanos. Alheios a esta maturidade que apresentam, não estarão com certeza os dois mem

bros de Blasted Mechanism que fazem parte deste projecto, mas para quem os viu, de certeza que na retina ficou, pelo menos, o seu vocalista, que para além de ser dotado de uma excelente voz, destaca-se pela sua boa presença em palco. Sem dúvida uma excelente actuação desta promissora banda, da qual se aguarda, espero eu, um registo gravado para breve.

A noite avançava, e foi já por volta da 1.00, que os Kussondulola assinaram o momento alto da noite. Depois dos problemas na noite anterior na Voz do Operário, onde não lhes foi possível actuar, aqui, e ainda que para um público diferente, estiveram iguais aquilo que sempre nos habituaram: uma festa do primeiro ao último minuto. Na minha opinião, os Kussondulola ganharam de facto muito, nos concertos ao vivo, com a inclusão da recente secção de metais e de uma voz feminina, notando-se apenas a falta de uma voz para o ragga, nos últimos concertos excelentemente preenchida pela voz do Prince Wadada. Quanto ao concerto propriamente dito, foi uma hora e meia de viagem pelos grandes temas dos 3 álbuns editados pela banda, com maior predominância para os temas retirados do seu último lançamento “Amor é ...bué”. Assim temas como : “Luzeiros”; “Apanha flash”; “Boda do Leão” ; “Chá de Cannabis” ou os clássicos “Dançam no Huambo”; “Perigosa” e “Nós somos Rastaman”, fizeram as delícias de um público que dançou, cantou e colaborou com os constantes apelos ao público, tão característicos do vocalista Janelo. Esta foi sem dúvida mais uma grande noite de reggae português, a demonstrar que este género musical está a crescer no nosso país, e cada vez mais ganha novos valores e também novos adeptos.

Artigo e fotografias por Ricardo Jorge Duarte.