Prince Wadada Phone Interview (to Solar Reggae Radio Show - 25-05-2003)

...In Portuguese Only...  

Paulo Matos : Wadada antes demais boa noite man.

Prince Wadada : boa noite...

Paulo Matos : tá-se bem ?

Prince Wadada : tá tudo bom, vai-se andando com a graça de Jah...

Paulo Matos : isso é que é preciso...OK Wadada, tu começaste mais na onda do Raggamuffin, aliás o teu álbum de estreia "Kem é Kem", que ainda decorre na Solar, é a prova viva disso mesmo, diz-nos antes demais, como é que surge a tua ligação à música.

Prince Wadada : a minha ligação à música surge por volta do início dos anos 90, mais ou menos em 1992, na altura que estava muito em voga o Dancehall, o Ragga assim dizendo,  mas no entanto eu sempre fui um amante da música Reggae, eu apaixonei-me, na altura tinha 14 anos, apaixonei-me pela música de Bob Marley, a príncipio as pessoas entregam-se ao Reggae por intermédio do Bob Marley, porque o Bob Marley é o maior embaixador da música Reggae e apaixonei-me completamente, a principio estava na escola...

 Paulo Matos : bom, estamos com um pequeno problema, a ligação caíu, vamos tentar mais  uma vez ...

Paulo Matos : vamos então continuar,  Ok Wadada, estavas a dizer-nos que começas-te por ouvir Bob Marley, não é verdade ?

Prince Wadada : sim, sim, estava a dizer que na altura estava prá aí no sexto ano de escolaridade, queria aprender a falar inglês, e pronto, e a via que eu tinha era escutar muita música em inglês, no caso Bob Marley nem é um inglês muito correcto, porque tem aquela mistura do patois e tudo,  mas ajudou-me muito na escola naquela altura, e caí no vício de escutar o Reggae, a minha intenção no início era uma, mas fiquei completamente apaixonado pelo Reggae, e desde então nunca mais parei de escutar, e passei a gostar de Gregory Isaacs,  Yellowman, no principio  era mais um amante, mais um ouvinte, só apartir dos anos 92, é que apareceu essa vertente do Reggae que é o Ragga, que eu comecei a  experimentar cantar, a experimentar, e acho que me saí muito bem (risos)...

Paulo Matos : é verdade, e a prova é mesmo isso, este teu álbum de estreia "Kem é Kem", como é que surgiu este álbum Wadada ?

Prince Wadada : este álbum foi gravado na altura, se não estou em erro, no último ano que estive em Luanda, foi entre 97 e 98, que estava a preparar o disco, já andava na estrada em Angola, já  fazia concertos, já estava mais ou menos dentro do esquema normal da música,  e surgiu também numa altura em que eu me estava a afirmar, tinha na altura 19, 20 anos, e estava um bocado indeciso porque não sabia o que iria fazer da minha vida , qual o rumo que queria na minha vida, se era realmente a música que eu queria, porque eu contava com a oposição dos meus pais, dos meus pais não, do meu pai, não adorava nada a ideia de ter um filho músico na família, e foi uma altura algo controversa, mas lá superámos, e consegui fazer o disco já lá em Luanda, e foi editado aqui em Portugal...

Paulo Matos : através da Kanawa Recs, não é verdade....

Prince Wadada : Sim, Sim.

Paulo Matos : a tourneé com os Kussondulola, foi  importante para ti em todos os sentidos, não é verdade ?

Prince Wadada : sim, sim, porque por um lado fiquei a conhecer o outro lado da música mais profissional, porque a música que eu fazia em Luanda, não tinha nada a ver com o circuito que é feito cá em Portugal, eu tinha a maquete do meu disco antes de ser editado cá em Portugal e uma vez tive a sorte de ir ver um concerto dos Kussondulola, em Angola já se ouvia Kussondulola, ouvia-se falar muito de Kussondulola, tinham um certo mercado feito lá em Angola, e eu achei que como a minha música e a dele tem muito a ver, achei que podia assistir ao concerto e deixar uma maquete, e por acaso conheci o Janelo da Costa, o qual eu considero como um padrinho para mim na música...

Paulo Matos : exacto.

Prince Wadada : porque ele ouviu a minha música e, passados dois dias, ele tinha-me pedido o meu endereço e número de telefone, passados dois dias estava na porta da minha casa, com uma proposta de fazer a tourneé comigo, e  eu fiquei completamente maravilhado, e não perdi a oportunidade que ele me deu...

Paulo Matos : e fizeste muito bem (risos)...

Prince Wadada : risos... 

Paulo Matos : relativamente ao projecto Linha da Frente, que é outro dos projectos onde estás inserido, fala-nos um pouco disso, como é que surgiu a ideia e como é que surgiu o convite para participares ?

Prince Wadada : bom, o Linha Da Frente no principio, foi em 99, na altura em que entrei, na altura o Linha Da FRente estava virado apenas para concertos, não se pensava em discos, e foi também o Nelo que pensou em mim, ele já trabalhava nesse projecto e, como precisavam de alguém para trabalhar com MC, ou tipo um animador, ou tipo  um rapper...

Paulo Matos : um toaster...

Prince Wadada : um toaster, qualquer coisa assim, e eu se calhar na altura reunia as características que eles precisavam, o Nelo levou-me lá, conheci o pessoal todo, o Varatojo, o João, a Vivianne, eu fui o último membro a entrar na banda, porque a banda nasceu a principio por causa de um concerto que houve em Lisboa, uma manifestação qualquer, agora não me recordo, na altura não participei, na altura participava também o Jorge Palma, e outros nomes que já não fazem parte do elenco actual, no projecto actual que é o linha da frente. A música é um pouco diferente, não é aquilo a que estava habituado a fazer na minha banda, mas eu gostei mesmo por isso, porque era um desafio novo, era  uma coisa fora do meu habitat normal, digamos assim, e entendemo-nos lindamente, e as pessoas com quem trabalhei, se havia coisas que eu não percebia, eles estavam completamente dispostos a explicar mais ou menos como era e só veio enriquecer-me mais a minha vocabilidade, e devo muito daquilo que aprendi a nível de palco, música tocada, devo muito ao Linha da Frente. Já estou com eles hà 3 anos,  e só me tem sido proveitoso.

Paulo Matos : OK Wadada, como já referi, és um dos artistas que estará presente no Festival Artmix Reggae 2003, no o que é que o Massive pode esperar da tua actuação em Castro Marim ?

Prince Wadada : Bom, o massive pode esperar um espectáculo que tem vindo a crescer , nós estamos basicamente a fazer uma mini-tourneé em Portugal, já vamos no 5º espectáculo, o nosso espectáculo tem melhorado cada vez mais, e temos estado a receber uma ovação, temos recebido uma critica muito positiva, no que temos estado a fazer, e acredito que aì no Algarve ainda será melhor, estivemos a semana passada, estivemos na semana académica de Setúbal, e fizemos um espectáculo muito bom, segundo a ovação que lá tivemos, segundo a crítica que foi muito boa, e temos estado a crescer musicalmente. Temos uma percentagem acima da média, relativamente a Reggae tocado,  e os músicos também são bons, acredito que vamos ter um bom espectáculo, quem fôr ver Prince Wadada, de certeza que não se vai arrepender.

Paulo Matos : Ok Wadada, obrigado por este momento de pura rádio em movimento, iremos sem dúvida encontrar-nos no Festival Artmix, até lá Jah Bless.

Prince Wadada : Jah Bless também, tchau, um abraço Paulo.

Solar Reggae Radio Show - 25-05-2003, Check It !!!

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