Entrevista a Kussondulola 

(realizada via telefone no Programa Solar Reggae de 08-06-2003)

Paulo Matos : Janelo, antes demais boa noite, bem-vindo à Solar.

Kussondulola : Boa noite, saudações e vibrações para todos os amantes da música reggae, e para aqueles que virão a ser, e Jah ama todas as pessoas do Mundo, amor é bué, tá-se bem man.

Paulo Matos : Ok Janelo, Kussondulola é relamente uma referência do Reggae nacional pelo que já contribuiu e estará para contribuir.

Kussondulola : sempre, sempre, Kussondulola é para durar, o nome diz tudo é uma mudança, de continuidade, e então é uma coisa que tem que durar, se não fôr por mim, será por outro, a questão é nunca parar, é como os The Wailers, há que sempre continuar.

Paulo Matos : Janleo vamos falar um pouco do passado, como é que surge uma banda de Reggae como os Kussondulola neste cantinho à beira mar, que ainda hoje teima em continuar a resistir a este som dos trópicos ?

Kussondulola : é um longo percurso sabes, isto tudo aconteceu quando o Bob Marley “arrebentou” com o Reggae pelo Mundo, e aí tive oportunidade de agarrar um disco da minha mãe do Peter Tosh, ele que passou a ser o meu mentor fundamental na minha maneira de ver o Reggae, e a conhecer, e apartir daí, foi um longo percurso, sempre fui amante da música, sempre tive a tendência de querer ser músico, e percorri vários caminhos, o Reggae bateu-me, tinha influências semelhantes à música angolana que se fazia na altura também, na altura em que eu nasci em 61, a música urbana angolana rebentou e vi, senti, que mesmo fora de angola, todo o meu percurso está cá em Portugal, depois fui para fora, mas todo ele foi feito cá, e dessas fusões da música angolana, o semba com o Reggae, que eram as múiscas que eu mais ouvia, houve a intenção de querer fazer uma banda, e fez-se um percurso, um estudo, esse três albuns que os Kussondulola fez, e há um grande percurso, um grande historial, um dia destes virá um book, uma história, um rewind sobre esa coisa, mas a intenção é não parar, e entender que todos nós estamos a servir o Reggae, está-se a servir Selassie I, é uma mensagem, a música tem de falar, nós escrevemos de várias maneiras sobre diferentes conceitos, há muitos artistas, o Reggae hoje já se tornou música popular do Mundo para a nova geração, e são essas descobertas  das coisas, das condições dificeis, da Natureza, toda aquela dificuldade que nós temos tido no Mundo, o Reggae como música é para servir a Jah, somos mensageiros da Natureza, e as coisas têm que mudar, existe uma enorme pressão em todos nós, e forever reggae, reggae para sempre man.

Paulo Matos : tá-se bem man. O álbum “tá-se bem”, o vosso primeiro disco foi muito bem recebido pela crítica, valeu-vos se a memória não me falha, o galardão de banda reveleção do ano de 1995, é verdade ?

Kussondulola : Sim, sim.

Paulo Matos : uma das categorias dos prémios Blitz, a reacção foi excelente por parte da crítica não é verdade ?

Kussondulola : sim a reacção acho que foi geral, sim foi totalmente geral, mas como acabei de explicar, nós no caso do Kussondulola, e no que toca à minha parte, o importante neste processo é entender que o Reggae é musica de mensagem, e não uma moda, não vamos estar à espera das críticas, é uma mensagem, uma continuidade, a gente vamos aprendendo, vamos apanhando os tempos, na altura aquilo resultou, foi bom, teve os complementos todos, Boom, resultou em termos geral, e agora é um processo de evolução, outras formas, da minha parte lançou-se outro album, o outro álbum tem um outro processo de entender, de compreender, e estamos longe de saber se a crítica achar bom ou não é...

Paulo Matos : isso é pouco importante também, não é...

Kussondulola : exacto, o processo de compôr, de ver como é, de definir, tendo muita quantidade de música sobre a banda e o projecto Kmac Kussondulola, tenho que entender, tenho que ver na minha posição de compositor, que é uma originalidade do Reggae feito em Português, e então aí, o 2º album é um estudo, o 3º é um estudo, e o 1º album também é um estudo. A intenção agora daqui para frente é lançar um disco ao vivo já para Setembro...

Paulo Matos : e já lá iremos....

Kussondulola : sei lá é um processo, para quem vai estar ligado ao Reggae, e é isso jovens, não se agarrem a nada que é critica, ignorem isso, porque quando é grandes eles dizem, a industria da música está mal, tá-se a viver mal, vendem-se menos discos, ninguém compra nada, mas a nossa pergunta no Reggae é, nós nunca estivemos bem, estivemos sempre mal...

Paulo Matos : exacto, isso é verdade...

Kussondulola : então por isso, isso não nos afecta nada, temos que continuar, não sei qual é o lado bom, nunca fui milionário com a música, não sei qual é esse lado, não estou preocupado, eu tenho que estar é preocupado em criar condições, uma raíz da música Reggae Portuguesa, e servir a Jah, a quem eu vou servir só, para toda a eternidade.

Paulo Matos : yah man....Ok Janelo, houve bastantes concertos de promoção, isto é um pouco na sequência da nosso conversa de à pouco, a reacção do massive ao longos destes anos no que toca a concertos ao vivo, tem sido excelente também, não é verdade ?

Kussondulola : sim tem sido excelente, excelente mesmo, e este Artmix que vamos ter aí apartir do dia 13, espero que o massive apareça lá, quero louvar desde já à organização, dou os meus parabéns, e a todos aqueles amantes que servem o Reggae que é também o teu caso, estamos todos no caminho certo, cada um com os seus erros e com as suas falhas, mas acho que todos nós temos a intenção de pôr a coisa de pé e é de louvar todo esse processo, e as coisas às vezes acontecem, não há uma maior divulgação da parte da media, mas é assim, o Reggae é isso mesmo, são as partes do povo, o povo está sempre esquecido, e então como estamos no meio do povo temos que ter paciência e avançar.

Paulo Matos : exactamente...vamos de alguma forma antecipar-nos um pouco, penso que poderás levantar um pouco o véu, há efectivamente um novo álbum dos Kussondulola para ser editado ainda este ano, o que é que podes adiantar acerca disso ?

Kussondulola : vai ser um disco ao vivo, vai ser gravado numa quinta, ao vivo mas numa intenção de festa né, quando me apetece cantar duas músicas, três músicas ligado, toco, depois pára aí, vamos comer e beber, depois “bora” lá tocar outra vez, e tá sempre a gravar, a fita tá sempre a gravar, tempos antigos, vamos gravar como faziam os nossos pais, directamente logo de uma vez, boom, sempre a gravar, e acho que vai ser uma coisa boa, se há uma coisa que eu tento impôr na banda é o riddim ao vivo, a cadência ao vivo, o live, e então isso estamos sempre de parabéns, e o resultado tem sido sempre nesses concertos que temos feito, agora aqui em Lisboa, em Setúbal, em Aveiro, e todos estes concertos têm tido uma grande dinãmica ao vivo, e a minha intenção é dar esse push da minha parte, para não se perder até à altura da gravção, que vai ser em finais de Julho, primeira semana de Agosto, porque a segunda semana de Agosto está previsto irmos tocar a Moçambique, duas semanas vamos fazer concertos, vai ser a primeira vez, a confirmar-se, se acontecer, e está no bom caminho, vai ser a primeira vez que Kussondulola vai a Africa, e se isso acontecer Moçambique está de parabéns,  e está a preparar-se na baía das gatas, se não me falha o nome, e então esse álbum vai saír de certeza. A intenção nesta altura, e como as coisas estão muito difíceis, Angola precisa de apoio, Moçambique precisa de apoio, principlamente as pessoas, nós a nível nacional, também estamos numa fase em que as coisas também estão um pouco pesadas, e a melhor coisa que podemos fazer às pessoas é dar-lhes muita música.

Paulo Matos : é verdade...

Kussondulola : poesia...

Paulo Matos : boas vibrações sobretudo...

Kussondulola : boas vibrações, e pronto vamos aí ao Algarve, e vou também recordar, vou chamar a atenção para António Aleixo, porque António Aleixo é poeta do povo.

Paulo Matos : OK Janelo, para todo o massive que infelizmente não teve oportunidade de vos ver ao vivo, o que acontecerá no próximo sábado no Azinhal em Castro Marim, o que é que podem esperar da vossa actuação, recordações e algumas novidades também ?

Kussondulola : Sim, recordações, novidades, vai ser um repertório que se está a preparar, também para o disco ao vivo, vai ser á base do primeiro e segundo disco, terceiro disco, e músicas novas, vai ser na ordem de 17 músicas mais ou menos...

Paulo Matos :: Boas vibrações então...

Kussondulola : Sim boas vibrações, vamos entrar logo com uma accapella de rockers,  depois nós somos rastaman do 2º album, perigosa, dançam no huambo do 1º album, rocksteady, o meu azar, meninas são crianças – é uma música do próximo album, também por causa dessas crianças que precisam de apoio aí nesse mundo todo,  fizeram tudo, amizade, o amor salva, tempo sozinho do 3º album, desastre natural é uma música nova que a gente aposta muito, que eu principalmente aposto, na sequência de desastres naturais do planeta, bolsa cheia e survival são duas músicas novas, pérola negra, legalizem a marijuana, toda a música. Vai ser bom.

Paulo Matos : De certeza man. Ok Janelo, obrigado por este grande momento de rádio aqui na solar, e sábado lá estaremos concerteza man, até lá força.

Kussondulola : Boa, valeu, saudações e boas vibrações man. Tá-se bem.

Programa Solar Reggae de 08-05-2003, Check It !!!

Todos os direitos reservados © Reggae Portugal 1999, 2003